Depois do parto, por stress ou por causas hormonais. Como distinguir uma queda normal de uma que merece consulta e que tratamentos podem ajudar o cabelo a recuperar.
Perder cabelo todos os dias é normal. O que costuma preocupar é quando a escova ou a almofada começam a ter mais fios do que o habitual, ou quando o cabelo parece menos denso ao espelho. Quase sempre há uma explicação, e muitas das causas têm tratamento.
Considera-se normal perder entre 50 e 100 fios por dia. Uma queda acima disso durante várias semanas, zonas com menos cabelo ou um risco cada vez mais largo justificam uma consulta, sobretudo se o problema já dura há mais de três meses.
Em resumo
- A queda mais comum depois de um parto, de uma doença ou de um período de stress (eflúvio telógeno) começa dois a três meses depois da causa e costuma recuperar sozinha.
- A alopecia androgenética, de origem genética e hormonal, é a causa mais frequente de cabelo cada vez mais fino. É crónica e responde melhor quando tratada cedo.
- O primeiro passo é sempre perceber a causa, com uma consulta e, muitas vezes, análises ao sangue.
- Os tratamentos levam três a seis meses a mostrar resultados.
Porque cai o cabelo? As causas mais comuns
Eflúvio telógeno
É a causa mais frequente de queda difusa nas mulheres. Acontece quando muitos fios entram ao mesmo tempo na fase de repouso do ciclo do cabelo e acabam por cair mais tarde. Entre os gatilhos mais conhecidos estão o parto, uma doença com febre alta, uma cirurgia, dietas muito restritivas, carências nutricionais, alguns medicamentos e as alterações da tiroide.
Há um pormenor que confunde muita gente: a queda começa normalmente dois a três meses depois do fator que a desencadeou, e por isso é raro fazer-se a ligação. Quando a causa é identificada e corrigida, a queda costuma parar e o cabelo volta a crescer nos meses seguintes.

Queda de cabelo pós-parto
É uma forma de eflúvio telógeno. Na gravidez, as hormonas prolongam a fase de crescimento do cabelo, e depois do parto esses fios caem quase todos ao mesmo tempo, em geral entre o segundo e o quinto mês. Assusta, mas costuma recuperar sozinha ao longo de alguns meses.
Alopecia androgenética
É a queda de origem genética e hormonal, e a forma mais comum de perda de cabelo. Nas mulheres, nota-se sobretudo pelo afinamento progressivo do cabelo no topo da cabeça e por um risco cada vez mais largo, sem zonas totalmente sem cabelo. Nos homens, começa em regra pelas entradas e pela zona da coroa. É crónica e responde melhor quando é tratada cedo.
Outras causas
A alopecia areata provoca zonas redondas sem cabelo e tem origem autoimune. Há também quedas ligadas a penteados muito apertados, a tratamentos químicos agressivos a infeções ou a outras doenças do couro cabeludo. Todas pedem avaliação médica.
Quando deve procurar um médico
- a queda dura há mais de três meses;
- aparecem zonas com pouco ou nenhum cabelo;
- o risco está mais largo ou o couro cabeludo mais visível;
- há comichão, dor, descamação ou vermelhidão no couro cabeludo;
- a queda começou depois de iniciar um medicamento novo.
Como é a consulta capilar
Começamos pela história da queda: quando começou, o que mudou na sua vida nos meses anteriores, que medicamentos toma, como estão os ciclos menstruais. Depois observamos o couro cabeludo e o cabelo com um dermatoscópio, que mostra a espessura dos fios e o estado dos folículos.

Muitas vezes pedimos análises ao sangue, por exemplo para avaliar o ferro, a tiroide ou a vitamina D. Com esta informação, percebemos que tipo de queda é e propomos um plano.
Tratamentos para a queda de cabelo
O primeiro passo é tratar a causa. Pode ser corrigir uma carência, rever um medicamento com o médico que o receitou ou tratar a tiroide. No eflúvio telógeno, isto chega muitas vezes para o cabelo recuperar.
Na alopecia androgenética e nas quedas que se arrastam, existem tratamentos tópicos e orais que só devem ser usados com indicação médica. Podem ser combinados com tratamentos feitos na clínica.
O PRP capilar, ou plasma rico em plaquetas, usa o plasma do próprio sangue, preparado para concentrar as plaquetas e os fatores de crescimento que contêm. Esse plasma é injetado no couro cabeludo, em várias sessões espaçadas de algumas semanas. Uma meta-análise de 2023, que reuniu nove ensaios aleatorizados, concluiu que o PRP aumentou a densidade do cabelo aos três e aos seis meses na alopecia androgenética, sem efeitos adversos graves.
O nanofat capilar recorre a gordura da própria pessoa, processada até ficar muito fina e rica em células com capacidade regenerativa. Os exossomas são uma abordagem mais recente, que procura estimular a regeneração do folículo. Em ambos, os estudos ainda são poucos, e a indicação é sempre discutida caso a caso na consulta. Pode ver estas opções na página de medicina regenerativa e de saúde capilar.

Nenhum destes tratamentos tem efeito imediato. O ciclo do cabelo é lento, e só ao fim de três a seis meses se consegue avaliar a resposta com rigor.
Quem não deve fazer tratamentos injetáveis no couro cabeludo
Não fazemos PRP, nanofat ou exossomas durante a gravidez e a amamentação, quando há infeção ou feridas no couro cabeludo, doenças do sangue ou contagem baixa de plaquetas, cancro em tratamento, ou antes dos 18 anos. Quem toma anticoagulantes ou anti-inflamatórios deve dizê-lo na consulta, porque pode ser preciso ajustar o plano.
Quanto custa?
Na MINIMAL Medical, o PRP capilar custa 250 € por sessão, ou 1000 € num pack de cinco sessões. O nanofat capilar custa 600 € e os exossomas 500 €. A consulta de avaliação tem o valor de 80 €, que é descontado se iniciar o tratamento. Pode ver todos os preços na tabela de preços.
Perguntas frequentes
Quantos fios é normal perder por dia?
Entre 50 e 100. Nos dias em que lava o cabelo pode parecer mais, porque saem de uma vez os fios que já estavam soltos.
A queda de cabelo por stress tem cura?
Na maioria dos casos, sim. Quando o stress foi o gatilho, a queda costuma parar e o cabelo volta a crescer nos meses seguintes. Se se prolongar, convém procurar outras causas.
As vitaminas para o cabelo resultam?
Ajudam quando há uma carência real. Sem carência, o benefício é pouco provável, e alguns suplementos tomados em excesso podem até provocar queda. Por isso, é preferível fazer análises antes de os começar.
O cabelo que cai depois do parto volta a crescer?
Na grande maioria das mulheres, sim. A queda tende a abrandar até o bebé fazer um ano. Se continuar depois disso, ou se o cabelo ficar visivelmente mais fino, é altura de marcar uma consulta.
Quando se notam os resultados do PRP capilar?
Em geral a partir do terceiro mês. A queda costuma diminuir antes de se notar mais densidade.
Se a queda a preocupa
Uma queda que se prolonga raramente se resolve sem perceber a causa. Na consulta, fazemos essa avaliação consigo e explicamos-lhe, com prazos concretos, o que pode esperar de cada tratamento.
Este artigo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação médica individual.
Fontes
- Dakkak M, Forde KM, Lanney H. Hair Loss: Diagnosis and Treatment. American Family Physician. 2024;110(3):243-250. PubMed 39283847
- Rebora A. Telogen effluvium: a comprehensive review. Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology. 2019;12:583-590. doi:10.2147/CCID.S200471
- Zhang X, Ji Y, Zhou M, et al. Platelet-Rich Plasma for Androgenetic Alopecia: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. Journal of Cutaneous Medicine and Surgery. 2023;27(5):504-508. doi:10.1177/12034754231191461
Última revisão médica: novembro de 2026.
Artigo revisto pela equipa médica da MINIMAL Medical. Saiba como escrevemos e revemos os nossos artigos na política editorial.








